A Polícia Civil do Maranhão prendeu em flagrante, nesta terça-feira (20), em São Luís, um homem investigado por integrar uma facção criminosa e utilizar as redes sociais para exibir armas de fogo, exaltar a organização e divulgar ameaças de morte contra integrantes de grupos rivais.
O suspeito foi localizado no bairro do Vinhais, menos de 24 horas após o início do monitoramento policial.
A prisão foi realizada pelo Departamento de Combate ao Crime Organizado (DCCO), da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), e integra o trabalho permanente das forças de segurança do Maranhão no enfrentamento às organizações criminosas, com ações de inteligência, investigação e cooperação entre instituições.
O trabalho policial teve início na noite de segunda-feira (19), quando investigadores identificaram publicações coordenadas em diferentes perfis de redes sociais, em comemoração ao aniversário de uma facção criminosa. Os conteúdos exibiam armamentos e mensagens de incentivo à violência, incluindo ameaças de morte contra integrantes de grupos rivais.
A análise das publicações e as diligências realizadas pela equipe policial permitiram identificar um dos responsáveis e efetuar a prisão na manhã seguinte.
Para a secretária de Estado da Segurança Pública, coronel Augusta Andrade, a prisão faz parte de uma estratégia mais ampla de enfrentamento às organizações criminosas, que reúne as forças de segurança do Maranhão em ações integradas de prevenção e repressão à criminalidade.
“Nosso enfrentamento ao crime organizado não se limita à prisão de quem executa os crimes. Estamos atuando para atingir as lideranças, interromper o financiamento dessas organizações e impedir que elas imponham o medo à população. Esse é um trabalho permanente das forças de segurança do Maranhão, com integração entre as instituições e ações que ultrapassam as divisas do estado”, destacou a secretária.
O delegado-geral da Polícia Civil do Maranhão, Augusto Barros, ressaltou que a identificação e a prisão do suspeito representam uma etapa do trabalho investigativo, que continua para alcançar outros integrantes da organização.
“A investigação não termina com essa prisão. Nossas equipes continuam trabalhando para identificar os demais envolvidos, esclarecer suas funções dentro da organização e reunir elementos para a responsabilização de cada um. É assim que conseguimos avançar sobre toda a estrutura criminosa, e não apenas sobre uma ocorrência isolada”, afirmou o delegado-geral.
Segundo a Polícia Civil, o homem possui quatro passagens pelo sistema prisional e estava submetido a monitoramento eletrônico, com uso de tornozeleira. Mesmo nessa condição, continuava divulgando conteúdos relacionados às atividades criminosas nas redes sociais.
O superintendente estadual de Investigações Criminais, delegado Guilherme Campelo, destacou o trabalho de monitoramento realizado pela equipe especializada e a rapidez na identificação do suspeito.
“As redes sociais não são território livre para ameaças de morte, exibição de armas e exaltação de facções criminosas. A partir do monitoramento dessas publicações, conseguimos identificar e prender um dos responsáveis em menos de 24 horas. Outros envolvidos também estão sendo investigados”, explicou o superintendente.
O homem foi autuado em flagrante pelos crimes de integrar organização criminosa ultraviolenta e apologia ao crime, permanecendo à disposição da Justiça. As investigações prosseguem para identificar os demais responsáveis pelas publicações.
Enfrentamento às organizações criminosas
A prisão desta terça-feira se soma a uma série de operações desenvolvidas pelas forças de segurança do Maranhão para combater organizações criminosas e atingir suas estruturas de comando, financiamento e atuação territorial.
As investigações têm identificado núcleos envolvidos no tráfico de drogas, em crimes violentos, na extorsão de moradores e empresários e na lavagem de dinheiro, inclusive com conexões em outros estados.
Entre as ações recentes está a Operação Hidra, deflagrada em agosto deste ano no Maranhão, Pará, Mato Grosso e Rio de Janeiro.
A investigação teve origem em um ataque contra um provedor de internet cujo proprietário teria se recusado a pagar cobranças extorsivas de uma facção criminosa.
A operação resultou na expedição de 21 mandados de prisão temporária, com 15 prisões efetivadas durante a deflagração.
A Justiça também determinou a indisponibilidade de até R$ 17,2 milhões, o sequestro de dez veículos e a interdição de um provedor investigado por possível utilização na lavagem de dinheiro. Entre os presos estavam suspeitos de exercer funções de liderança e de movimentação financeira da organização a partir de outros estados.
Em junho, a Operação Domínio Paralelo, realizada em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Maranhão, resultou no cumprimento de três mandados de prisão preventiva contra integrantes de um núcleo investigado por extorquir moradores da Península do Ipase, em São Luís.
As apurações apontaram cobranças compulsórias mediante ameaças e a utilização de pessoa jurídica para movimentar os recursos.
Outra frente de investigação foi a Operação Fio Cortado, realizada em abril, que resultou em cinco prisões temporárias, apreensão de bens e determinação judicial de bloqueio de aproximadamente R$610 mil. A investigação identificou suspeitas de utilização de intermediários para transmitir ordens de lideranças criminosas que estavam presas.
Já em maio, a Operação Nêmesis resultou no cumprimento, no Pará, de dois mandados de prisão preventiva e um mandado de apreensão de adolescentes, no âmbito de uma investigação sobre ataques contra servidores da Polícia Civil no município de Bacuri.
As operações integram uma estratégia de enfrentamento que busca atingir diferentes níveis das organizações criminosas, desde os responsáveis pela execução de crimes até lideranças, operadores financeiros e estruturas utilizadas para transmitir ordens e ocultar recursos ilícitos.
O trabalho envolve a atuação integrada das forças de segurança do Maranhão, o intercâmbio de informações de inteligência e a cooperação com o Ministério Público e as instituições policiais de outros estados, ampliando o alcance das investigações e das medidas de combate à criminalidade organizada.
Fonte – Governo do Maranhão

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